Gosto muito de ter informações, que julgo importante, sempre às mãos. Somado a isto, gosto também de ter um ambiente personalizado, customizado por mim, para mim, e que tenha alguma utilidade.
Pois bem, dentre os vários gadget’s que encontrei web a fora para colocar em meu desktop, deixando-o mais “eu”, optei pelo Conky. Ele é um excelente monitor de sistemas e que traz algumas vantagens que me ajudaram na decisão por ele se comparando a outros aplicativos da mesma categoria. Dentre as vantagens, podemos destacar:
- É leve – consome pouca memória;
- É completamente customizável;
- É totalmente grátis
Veja alguns screenshots na página do aplicativo para ter uma noção mais precisa do que o Conky pode fazer por você. Ao lado inseri
uma imagem da minha atual configuração e certamente quando estiver lendo este post, eu já o terei alterado como costumo sempre fazer de modo a mantê-lo sempre como um atrativo e evitar que se torne apenas mais um “enfeite” em minha área de trabalho.
Antes de neste post passarmos algumas dicas de como instalar, configurar e personalizar o Conky, vale chamar a atenção para uma característica super interessante do Conky. Além dele permitir customização a nível de cores e fontes, permite também a customização pela inserção de scripts que ele executa em tempo real e com isso permite exibir alguns dados que não pertencem ao ambiente ou ao desktop onde ele está instalado, como por exemplo, exibir se você tem e-mails não lidos em sua caixa de mensagem do GMAIL.
O uso de scripts pode exigir de você um conhecimento em alguma linguagem de programação, desde o simples e poderoso Shell Script até algo mais elaborado usando por exemplo o Python.
A Instalação
Vou falar sobre a instalação no ambiente Debian, mais precisamente na distribuição Ubuntu. Porém no próprio site do Conky, existe explicação para a instalação em outros sabores de Linux como o Gentoo, Arch e outros.
Abra um terminal e digite:
sudo apt-get install conky
Deverá ser solicitada a senha do usuário com permissão administrativa para executar esta operação. Digite a senha e aguarde a instalação. Eventualmente pode ser que seja exibida uma pergunta em seu terminal aguardando que você confirme se deseja realmente prosseguir com a instalação. Neste caso, digite S ou Y, dê um enter e aguarde a finalização da instalação.
Após instalado, quando seu prompt estiver disponível, digite o seguinte comando para executar o Conky pela primeira vez e com as configurações básicas “de fábrica”.
conky & bg
Obs.: o “& bg” após o nome do comando serve apenas para jogar o processo para background e lhe disponibilizar o prompt do terminal novamente, para que possamos continuar nosso trabalho de configuração.
Veja que em sua área de trabalho já está sendo exibido o conky, do jeito que veio ao mundo. Realmente é algo que necessita de imediato de uma mudança para cair no agrado até do menos exigente dos mortais. Portanto, vamos prosseguir com nossa instalação, passando agora para a personalização de modo a deixá-lo ao gosto pessoal de cada um.
Antes porém acho importante deixar aqui uma dica. Para não termos que executar o comando em um terminal a cada vez que ligarmos nosso micro, interessante é deixar que o Conky seja executado automaticamente ao abrirmos uma sessão em nosso desktop. Para isso, vamos criar um atalho para um “arranque automático” mas para evitar um pequeno probleminha de estética, vamos chamar o Conky através de um script onde iremos executar um comando que irá dar um tempo ao sistema antes de efetivamente acionar o Conky pois em muitos casos, se o Conky for chamado tão logo o ambiente gráfico seja iniciado, ele irá sobrepor inclusive os paineis que você eventualmente utilize, ficando meio “engessado” em um canto de sua área de trábalho.
Vamos por partes:
1. Criar o script digitando em um terminal o comando para criar o arquivo que irá conter o script:
touch run_conky.sh
2. Agora edite este arquivo, utilizando o editor de sua preferência (nano, vim, gedit, etc). Vamos aqui usar o VIM.
vim run_conky.sh
Ao aparecer a tela do editor com o arquivo aberto, aperte a letra “i” para entrar no modo de edição do VIM e digite o seguinte código:
#!/bin/sh
sleep 35 && conky
Aperte a tecla “esc” para sair do modo de edição. Em seguida aperte “:” (dois pontos) e digite as letras “wq” e dê um enter. Pronto, já temos o nosso script criado. Apenas a título de informação, o comando sleep faz com que o script faça uma pausa em segundos de acordo com o número passado como parâmetro, neste caso, 35 segundos, antes de executar o próximo comando que efetivamente é a chamada ao Conky.
3. Agora precisamos tornar o arquivo que criamos em um executável, digitando no terminal o comando
chmod a+x run_conky.sh
4. Vamos agora criar o arranque automático, que irá efetivamente executar o nosso script e não o Conky diretamente. Abra a “Preferências dos aplicativos de sessão” clicando no menu Sistema > Preferências > Aplicativos de Sessão. Clique no botão “Adicionar“. Na janela que se abre, digite os seguintes dados:
Nome: Conky
Comando: /home/seu_usuario/run_conky.sh
Comentário: Executar o CONKY
Após inserir os dados, sua janela deve estar similar a da figura abaixo:

Clique no botão “Salvar“, em seguida no botão “Fechar” da janela de “Preferências dos aplicativos de sessão” e prontinho. A partir do próximo logon em seu ambiente gráfico, o arranque irá executar o nosso script que irá “dar um tempo” e então executar o Conky. Você pode alterar o tempo de acordo com seu gosto, pode inclusive omitir esse comando, porém é bom testar e ver se realmente não terá problema com o Conky se sobrepondo a outras janelas e ficando travado por cima de tudo em vez de ficar no cantinho dele enfeitando a nossa área de trabalho como tem de ser.
Pronto. Concluída essas etapas, vamos agora evoluir e passar para a parte realmente interessante: a customização do nosso Conky.
A Personalização
O Conky, tão logo é instalado e iniciado pela primeira vez, tem uma aparência com um fundo preto, e aparece do lado esquerdo de nosso desktop normalmente onde colocamos nossos ícones, com fonte padrão e informações básicas. Como dissemos no inicio deste post, o Conky permite um nível de personalização que chega a ser impressionante. Vejam por exemplo esse post no Ubuntued onde o resultado é uma aparência semelhante ao do Windows Phone Seven. No site oficial do Conky você encontra na seção de documentação, todas as chamadas que o aplicativo traz embutido, lembrando que outras você ainda pode criar via script.
Pois bem, para que nosso Conky fique do jeitinho que queremos, vamos editar o arquivo de configuração. Inicialmente o arquivo está no diretório de instalação em /etc/conky, porém temos que criar um arquivo “.conkyrc” (com o ponto no início e sem as aspas) no diretório home do usuário. É neste arquivo que a mágica acontece. Para facilitar nosso trabalho inicial, visite página http://conky.sourceforge.net/screenshots.html e clique no link abaixo da imagem que mais lhe agradar para copiar o texto a ser colado em seu arquivo .conkyrc para iniciar e, posteriormente, você pode ir alterando alguns parâmetros, excluindo uns e adicionando outros, até chegar ao ponto ideal. Disponibilizo também o arquivo com meu .conky para quem desejar usar, porém ressalto que deve ter instaladas as fontes Webdings e OpenLogos para que funcione tal qual é mostrado no screnshoot.
Após colar o texto e fechar o arquivo, pode ser que seja necessário reiniciar o Conky. Para isso, execute no terminal o comando abaixo:
killall conky && conky
Alguns artigos internet afora informam que após qualquer atualização no arquivo de configuração do Conky (/home/seu_usuario/.conkyrc), o Conky deve ser finalizar e reiniciado. Particularmente, sempre que executo o comando salvar no VIM (:w), meu Conky já se recarrega automatica e instantaneamente com as novas configurações.
Dois pontos interessantes a destacar nessa parte:
- Fontes diferentes – Usando a tag ${font} é possível alterar inline a fonte a ser utilizada naquele momento, ou seja, pode ser dada a um caractere ou um conjunto de caracteres, uma roupagem diferente do restante, permitindo utilizar qualquer fonte que esteja instalada em seu Linux, inclusive fontes com imagens semelhante ao que podem ver no print que disponibilizei no início do artigo onde eu utilizei a fonte OpenLogos para que seja exibido o pinguim ao lado do nome sistemas.
- Cores diferentes – Usando a tag ${color} você pode mudar a cor do texto, a qualquer momento, misturando todas elas para deixar o seu Conky mais atraente e combinando com o tema do seu Linux. Sugiro consultar uma tabela de cores hexadecimal, como a exibida neste site http://erikasarti.net/html/tabela-cores-seguras-web-safe/
Neste ponto é interessante que você dedique um tempinho para mexer bastante no arquivo de configuração e aprender como alterar este arquivo. É sempre ideal que você mantenha uma cópia antes de iniciar as alterações pois em alguns momentos uma letra fora do lugar pode fazer com que seu Conky deixe de ser exibido. Por isso fique atento durante as alterações para, quando for preciso, saber aonde deve ser alterado para que tudo volte ao normal.
Considerações gerais
Uma excelente aplicação para o Conky é no ambiente corporativo. Recentemente na empresa em que trabalho, tivemos uma demanda que nos permitiu incluir no parque alguns micros com Linux em meio aos outros que continuariam a existir com seus S.O. proprietário e em cujas áreas de trabalho, utilizávamos o BGINFO para facilitar a coleta de alguns dados utilizados no momento de um suporte técnico. O Conky foi a opção que utilizamos para atender com louvor ao propósito.
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